A cultura da convergência: uma ode aos proletas.

                                             Uma ode aos Proletas ! Enfim!

O crescente aprimoramento dos equipamentos tecnológicos sobretudo para o som e a imagem e consequentemente a sua profusão entre as várias classes sociais potencializa o surgimento de “realizadores” sobretudo da imagem e do som que em muitos casos não são profissionais desse meio, mas dada a facilidade de operar uma camera de vídeo nos dias de hoje, de capturar uma imagem ou captar um som e depois processar esse material e dar finalidade a ele torna possível que surja uma outra fonte de origem, um nicho formador da linguagem da imagem e do som distinta à já estabelecida no meio.

Essa realidade já era antevista e refletida por muitos profissionais da imagem e do som, com um certo entusiasmo como transparece na fala de Win Wenders:

[…] o digital vai reintroduzir o que pensávamos que estivesse perdido, os pequenos filmes, originais, de autor, destoantes do maisntream. Isso porque, com a nova tecnologia, mudam em tese, as condições de produção. Tudo se torna mais barato, ágil, acessível. ( WENDERS, Win. Terra Cinema , 2000 b )

Entretanto não são apenas novos realizadores, artistas multimídiaticos ou novos autores que compõe o nicho mas o espectador das linguagens da televisão, do cinema , do rádio e dos games que agora faz suas próprias leituras do mundo. Se “O espectador que olha a tela efetua um complexo trabalho cerebral reunindo os enquadramentos que desfilam diante dele como cine-frases. (  EIKHENBAUM Boris:In Albèra , 1998,p204).  Agora o mesmo, assume um papel critíco enquanto manipulador de uma tecnologia a principio produzida para o desenvolvimento de determinado meio, mas que agora popularizou-se e tornou-se um equipamento que dá ao sujeito mais comum o poder de apreender um momento, registrar um instante.

Em suma, aqueles que produzem e mantém o sistema econômico em funcionamento – seres como nós – ao terem acesso a equipamentos que não os de suas especificidades passam a terem também a possibilidade de inserirem-se em um meio que não é o de sua especificidade. Isso graças a inserção da memória digital capaz de proporcionar a cpacidade de programar  o uso de determinado equipamento para atingir determinado resultado embora haja usuários das tecnologias que nem mesmo a esse trabalho dão-se limitando-se a apenas clicar.

Essas peculiaridades são abordadas por Flusser quando discorre justamente sobre a  questão das imagens técnicas, aquelas que são produzidas de forma mais ou menos automáticas . O uso de tecnologias que não dependem do pleno conhecimento do usuário em um nível mais técnico e cientifíco. Assim sendo para capturar um vídeo com o celular o usuário direciona sua camera de video embutida para o objeto em questão e a aciona, há quem configure a camera para adequa-la as condições de luminosidades, há quem entregue-se ao desenvolvimento de enquadramentos seguindo padrões de materiais que por ele já foi visto, mas há também aqueles que fazem um uso totalmente diferente desse para o qual a tecnologia desenvolveu-se.

É notória a contribuição – mais do que óbvia – do advento da linguagem binária na qual  fundamenta-se a cultura digital, pois foi  através desta que tornou-se possível a manipulação de conteúdos dos mais diversos formatos e das mais diversas naturezas, uma verdadeira hibriditização que vai resisgnificando tanto os meios quanto a mensagem por eles carregada ora, ampliando os significados iniciais ora transmutando o que já estava sedimentado possibilitando a graça de reinterpretar uma mesma ideia de formas diferentes.

O próprio uso de materiais já consolidados enquanto produção audiovisual como referência já indica essa operação do indivíduo como interator e recriador dos sentidos originais, porém quando este fas uso e cria material inusitado subvertendo esses sentidos ou colaborando para a ampliação surge uma situação completamente nova onde conflitos de interresse inevitavelmente surge. Ora a lógica de um filme é ser assistido assim como a de um game é ser jogado, mas quando o filme que contava a estória X é remontado para contar a estória Y e o game que tinha como sentido ser jogado passa a ser manipulado para significar uma outra coisa, inevitavelmente surgem as reeações dos produtores detentores de direios . Estes posicionam ora contra, ora parcialmente à favor desde que sejam favorecidos e em alguns casos posicionam à favor sobre todos os aspectos inclusive colaborando com estas ações.

É esse sem dúvidas um meio de grandes possibilidades imersivas, onde explorar os materiais resultantes destes indivíduos empoderados rende horas, dias, semanas à fio de instigantes descobertas de formas interpretativas de materiais que sempre foram entendidos de uma forma mas que bem podem ser entendidas de outra. Nota-se aí um fio condutor inclusive para discussões sobre autoria, um tema que atualmente vem sendo bastante debatido onde a indústria busca direitos sobre o que habita a Internet e que por consequência implica em por fim a essa farra por demais significativa e que tanta vida tem dado aos ambientes virtuais.

O próprio Mainstream ou Industria Cultural – tema sobre o qual Theodor  Adorno discorreu bastante –  alimenta-se de uma forma perversa de ações que buscam subvertê-lo e em determinados níveis de compreensão percebe-se que esta é a forma deste anular e subverter aquilo que primáriamente deveria ser como um espinho a incomodar. O uso de uma manifestação crítica e satírica que ironiza determinada obra pela obra em questão como meio de popularizar-se é sem dúvida uma ação perversa.

Todo estas questões aqui apresentadas compõe um tema muito vasto e sobre o qual estudos e conceitos teóricos vão sendo aplicados em razão de entender como se dá este fenõmeno e os seus desdobramentos, as convergências pelas quais as Mídias vem ressignificando-se e reiventando-se, em busca do que lhes é próprio é o tema abordado por Henry Jenkins em seu livro “A  cultura da convergência” , onde os fatos aqui apresentados são tratados co grande profundidade ee analisados meticulosamente.

Embora este post fale sobre cultura da convergência, não deixe de olhar o outro logo mais abaixo, postado pelo Roago ou Rodrigo Madeira.

Enquanto isso nesse – ou neste – mesmo post seguem-se alguns exemplos do que vem a ser elementos frutos do empoderamento ou popularização de aparatos tecnológicos que possibilitam ao individuo não especializado no meio produzir materiais com características específicas.

Os matriais postados no You Tube do enigmático João Amorim de quem procura-se informações na web e … não se encontra muita coisa! quem é de fato João Amorim? como existe vídeos com dele com quase 50 mil visualizações e não se encontra uma biografia?

João Amorim: o forasteiro:  Este vídeo construído sobre o que não seria uma construção de narrativa bem feita como manda o figurino sobretudo hollywoodiano é muito bem feita ao exibir personagens que percebemos na cara larga que estão transmitindo os diálogos e seguindo ordem do roteiro, nada de passar verdade e toda essas coisas.

Agora olha só essa marchinha de carnaval sobre o Vídeo que você acabou de assistir, OU ESTE AQUI

Ambos exploram o caminho aberto por João Amorim,  sendo que o material derivado deste recém citado é compreendido melhor por quem conhece o trabalho de João Amorim e sua forma de lidar com as narrativas,  e para tal bastou um programa de edição de áudio e de imagem.

segue links para a “filmografia” de João amorim:

Os tropeiros

O Forasteiro

E agora este aqui, o empoderamento nas mãos da galera satirizando os games: artigo 1337 . Mas não só os games, parodiam Racionais Mc’s capitulo 4 versiculo 3.

Primeiro, vou ressaltar que a touca do Corinthians na cabeça do cara pegou super bem, e vejamos, nenhum enquadramento mirabolante, nenhuma firulagem na edição, uma camera paradinha provavelmente sobre algum tijolo – vai saber! – ou caixote, quem sabe. muito caseiro mesmo, rolou um som que não foi captado pela camera – vide os lábios do cara – mas foi tratado e recebeu a trilha base. A performance do cara é bem bacana, com certeza cumpriu com a in tenção deles de divertirem-se bastante.

Bom, 1301  palavras depois encero por aqui.

sacrawendell Vuluel até.

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