Braid

Braid é um ótimo jogo. 2D, tem uma mecânica tão interessante que não se sente falta da tecnologia das grandes grifes.

Sendo affordance, muito resumidamente, a capacidade do jogo de fazer com que você esteja imerso e tenha uma percepção diferente ao interagir com um mundo diferente do que o cerca normalmente (alteração do seu Umwelt), Braid tem artifícios interessantes para que isso ocorra.

Não sei praticamente nada da história, é algo parecido com Mario Bros. E não é nela que há a imersão. O que realmente faz com que haja essa imersão é a mecânica do jogo. Em Braid você retorna no tempo (tecla Shift) como se apertasse o botão Rewind no controle remoto.

Utilizando do artifício de retornar o tempo, seu objetivo é recolher as peças de quebra-cabeça espalhadas pelas fases. A maior parte delas não é possível de pegar sem retornar no tempo para que uma plataforma esteja na posição correta ou sem que você volte a um momento anterior à uma porta que se fecha, entre outros puzzles.

À princípio, o mecanismo é estranho e você se confunde um pouco, ao passo que vai progredindo pelas fases iniciais, mais fáceis, até o ponto em que chega às fases mais complicadas. Nesse momento, porém, a mecânica do jogo ja foi internalizada e você já está imerso.

O affordance por tanto, não se dá por uma história envolvente ou por gráficos ultra detalhistas buscando uma realidade alternativa, ela se dá pela repetição de um certo mecanismo ao ponto em que vire algo natural.

Quando o mecanismo se internaliza, você não calcula mais nada. Simplesmente joga. Ok, em dados momentos você emperra e não consegue progredir, mas não é o mecanismo que te causa dúvidas e sim os objetos colocados no jogo para interagir com você e com o mecanismo. Suas habilidades cognitivas já foram levadas a um universo diferente e por serem forçadas à repetição, se automatizaram e você já está imerso.

Tentando conectar com alguma coisa fora do mundo dos jogos, pensando nessa automatização que te carrega para dentro da história, associei de alguma forma à meditação e essa história de repetir algo até se internalizar e virar algo automático.

Na meditação (não sei se todas as técnicas se baseiam nisso) você se concentra no ritmo da respiração e começa a variar padrões e tenta pensar apenas nisso, até um ponto onde os padrões da respiração deixam de ser um esforço e você já não pensa mais em nada, atingindo outro estado de consciência, diferente do usual.

Da mesma forma que a meditação tem essa capacidade, acredito que o jogo também tenha (Braid, no caso). Ele te absorve de uma forma tão profunda, que após alguns minutos apertando botõezinhos, você já foi levado para fora de seu estado padrão de consciência. E esse estado vem dos artifícios que o jogo usa para que haja o “affordance”, sugando-o para uma realidade alternativa que altera a sua percepção momentaneamente (ou não). Um estado de imersão.

* sendo mecanismo = negócio de voltar no tempo

* hur dur imersão hur dur … sry não achei outra palavra hahaha

– Rodrigo Madeira

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