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Arquivo mensal: abril 2012

Em 1982, Wim Wenders realizava um documentário sobre o futuro do cinema. Aproveitando o festival de Cannes, convidou diversos realizadores ali reunidos para que responderem algumas questões.

Um a um, os diretores eram colocados em um quarto, de frente a uma câmera e tinham dez minutos (um role de 16mm) para falar. Compondo o ambiente, uma televisão ao fundo e o equipamento de som em uma mesa.

A principal questão em debate era se o cinema viria a morrer.

A grande maioria dos diretores ali acreditava que o cinema iria realmente morrer e que a televisão tinha papel fundamental na morte do cinema. Por ter uma linguagem mais fácil e a comodidade de assistir em casa, acabara ganhando um espaço que antes era do cinema.

Dois depoimentos me chamam atenção: Paul Morrisey que mostra uma postura conformada quanto a morte do cinema e assume que quase não vê filmes mais e que prefere a linguagem da televisão por achá-la mais real.

E  Monte Hellman que diz não assistir a filmes ultimamente (1982) por achá-los ruins. Ele não acreditava na morte do cinema, apenas achava que os filmes passavam por um momento ruim e por isso não atraiam a atenção do público, muito menos a dele.

Ainda hoje vemos essa mesma discussão, apenas adaptando às tecnologias atuais. Cinema contra a televisão, o Cinema contra o vídeo, o Cinema contra a Internet… Pode-se perceber que por mais que enfrente inovações tecnológicas o Cinema não morreu, passou por transformações e se adaptou aos novos meios. O cinema, mutante, ainda vive.

Rodrigo Madeira

Dentro da extensa lista de jogos linkados no Desdobramentos, encontrar este foi uma grata surpresa – grata surpresa após joga-lo – visto as potencialidades que apresenta e que extrapolam o sentido dado pela característica de jogo. Feign é um jogo baseado em uma lógica e com um sentido, mais agradável de ser jogado sem o som diga-se de passagem e que tem o claro objetiovo de encontrar os nove ícones amarelos chamados no jogo de corpos – não representam uma pessoa animada visto que é um ícone estático, sem muita caracterização – que estão em ambientes separados dentro de um labirinto que lembra fractais ocupando um espaço infinito.

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É de uma jogabilidade relativamebnte simples, mas uma característica que possívelmente passa desapercebida pelo jogador é o espetáculo visual proporcionado pela visão subjetiva onde o objeto sólido\tridimensional que compõe o labirinto vai desvelando-se de acordo como ritmo de cada jogador e contrastando com o espaço que ocupa. A composição dos labirintos são paradoxais pois ao adentrar o primeiro tem-se acesso a um outro que está fora deste  e que não pode ser visto sem acessar o primeiro.

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Não pára aí, há labirintos dentro de labirintos com espacialidade que contradizem o que é conhecido das leis da fisica, voc~e está em um mundo virtual meu caro, e agora o esquema é re3jeitar o óbvio de vez em quando!

Não lhe será concedido um metodo de como jogar pois este  está mais para um jogo lógico que estimula a dedução e a percepção do que um jogo com um objetivo claro e definido de chegar pura e simplesmente ao final.

Entrgue-se ao prazer de jogar e explorar, conceda a ti mesmo criatura que navega o vasto, nefasto e devastado mundo virtual a possibilidade de re-conhecer “o infinito e além”, “Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve” .Cumprir as metas , os ritos de passagem, encontrar os ovos do coelhinho da páscoa atrás das arvores vem como um bônus da brincadeira!

Os devaneios comuns a este que redige o presente post ficarão para uma próxima ocasião, aí direi que enquanto jogava pensava em relações do jogo com video-arte – e até mesmo imaginei o jogo em uma instalação- pensei no Einseinstein – caso não o conheça digite na busca – e em uma pá de entusiastas do meio imagético, entrei em um mundo vasto de faz de conta – enquanto navegava e navego neste mundo virtual- e imaginei se o som do jogo estivesse ligado a performance do jogador, se a habilidade deste manusear a interface estivesse ligada ao ritmo da sonoridade. Mas efetivamente, o devaneio vai ficar para um outro momento.

 

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NAWNCO

Do desenvolvedor da Increpare, Stephen Lavelle, Nawnco assim como os outros títulos que podem ser encontrados no site, é um jogo estranho. Esse talvez seja o motivo de continuarmos jogando-o até entendermos seu funcionamento.

Nawnco não tem um tutorial, temos que jogar para sacar o propósito. Você sai clicando aleatoriamente e vendo o que funciona e o que não funciona. E o engraçado é que você começa a criar seu próprio sentido e seus próprios objetivos.

Eu vi uns reclamões chiando que não entenderam nada, porque não tem tutorial e blábláblá mas fala sério, duvido que alguém ainda leia manual de alguma coisa. Sai logo no dedo nervoso clicando em tudo, apertando todos os botões possíveis até entender a lógica do negócio. Tudo bem que em um jogo com uma interface gráfica mais desenvolvida o processo de aprendizado cognitivo é mais legal e não perdemos o interesse logo, mas em suma é a mesma coisa.

Bom eu achei de mais esse jogo e fiquei jogando em casa tentando fazer estratégias diferentes pra “vencer”.

Vencer entre aspas, porque depois de ganhar você percebe que esse é um objetivo bobo. Não acontece nada, simplesmente acaba e pronto. A graça mesmo, é entender as regras por si só, sem ninguém explicar e rir de quem não consegue.

Mas como eu sei que mesmo depois desse depoimento envolvendo a honra oriental de não perguntar comofas, você, ser preguiçoso e entediado que nem leu o texto todo e já foi direto procurando um tutorial, colocarei um spoiler com as “regras”. Digo “regras” pois nem sei se elas existem de fato. O spoiler é mais sobre o método que eu achei pra “vencer”, se você achar outro, conte-me.

Saiba porém, que ao ler esse tutorial você se torna automaticamente um fraco, sua alma é vendida a mercadores de escravos da idade média e seu ego, despedaçado e transformado em uma das figuras toscas do jogo.

Spoiler

Dá pra vencer em duas rodadas. É mais ou menos assim: Do lado esquerdo você recebe umas figuras, quando você passa o mouse em cima você seleciona quatro delas. O lado direito seria onde você joga as figuras da esquerda formando um padrão diferente, de acordo com a combinação. Mas o padrão que importa é aquele que tem quatro pontos. Pra formar esse de quatro pontos você precisa escolher um quadrante do lado esquerdo em que todas as cores são diferentes.

A próxima leva de figuras é baseada nas figuras que você montou na rodada anterior então, escolhendo quatro figuras diferentes, você monta apenas figuras com quatro pontos e é esse o objetivo: Avançar à próxima rodada apenas com as mesmas figuras. Se você fizer isso “ganha”.

Note como as barras foram usadas, mas as imagens repetidas

 

Então na primeira rodada se você escolher várias figuras repetidas ele vai te gerar muito mais cores na próxima e aí é mais fácil ter só cores diferentes pra você vencer.

Rodada Perfeita - as barrinhas foram usadas, porém foi utilizado apenas um padrão

Entre o quadrado da esquerda e o da direita você encontra umas barrinhas. Quando você escolhe uma figura uma barrinha some. Quando todas somem e você repetiu a mesma figura, quer dizer que fez um round perfeito e vencerá o jogo na próxima rodada.

WIIIIIIIIIN

Eu só consegui ganhar usando figuras diferentes, não creio que dê pra vencer usando outro padrão, e olha que eu tentei exaustivamente, mas vai saber. Não acho que dê, mas vai saber… tipo não acho mas quem sabe… é bem improvável mas vai saber, porque sei la talvez tipo, mas não acho … OH SHUT THE *UCK UP – you tell me

O clímax

Cheers!

Se você chegou a esse ponto do texto sua alma já é propriedade alheia. Não reclame, a decisão foi sua e somente sua.

– Rodrigo Madeira